‘’As redes sociais
reduzem parte da intimidade e do segredo das pessoas que até há pouco tempo
atrás, era o nosso bem maior e que nos dava profundidade’’, já dizia Patrick
Modiano, escritor francês e ganhador do Nobel de Literatura de 2014, numa clara
observação do efeito que a vida em rede causa nas pessoas. O mal que assola
esse novo século, não se caracteriza como uma doença fisica, mas psicológica,
definida por estudiosos como Hiperexposição,
que significa: Ação de expor(-se) sobremaneira, além do necessário ou do
devido.
As
pessoas querem expor aquilo que julgam terem de melhor, numa tentativa de
demonstrarem que vivem momentos bons, de certa forma isso pode ser benéfico,
mas os psicólogos veem isso como uma fonte de inveja que pode nascer em outras
pessoas, a palavra inveja, vem da expressão latina Invidia, que significa ver, e a partir dessa
visualização de uma suposta vida perfeita do outro individuo, cresce esse
sentimento, gerando assim um senso de desigualdade, pelo desejo de ter ou viver
como o outro.
Quanto mais nos
envolvemos e gastamos tempo na internet, nos relacionamos com fotos, imagens,
videos e não mais pessoalmente. Por medo da solidão, entramos no paradoxo de
nos isolarmos para nos relacionarmos, e nos tornamos cada vez mais superficiais
e expostos, querendo mostrar a todo instante que estamos ‘’por dentro’’ das
novidades, daquilo que está ‘’rolando’’ na atualidade e vivemos de maneira que
esquecemos de um certo modo de viver.
Mas não podemos julgar as
redes sociais como algo somente maléfico, quando na era da globalização, fica
cada vez mais facilitada a comunicação entre amigos, parentes e familiares que
moram longe, e em instantes podemos ter acesso a noticias e atualidades e
podemos contatar-nos a todo momento. A palavra que impera nesse novo mundo é
FACILIDADE, em apenas um clique temos acesso a milhões de pessoas e de
informações, sendo esta ultima a nova moeda da contemporaneidade.
Portanto, não devemos julgar isso como um mal ou um bem para a
humanidade, mas apenas como uma ferramenta, que devemos aprender a usar, somos
a primeira geração que tem contato com essa nova forma de relacionamento.
Precisamos investir em conscientização dos limites entre o público e o privado,
assim poderemos desfrutar da maneira mais agradável desse novo universo que são
os sites de relacionamento e a internet como um todo, evitando sempre a
Hiperexposição.

