terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Os Perigos da Hiperexposição

 ‘’As redes sociais reduzem parte da intimidade e do segredo das pessoas que até há pouco tempo atrás, era o nosso bem maior e que nos dava profundidade’’, já dizia Patrick Modiano, escritor francês e ganhador do Nobel de Literatura de 2014, numa clara observação do efeito que a vida em rede causa nas pessoas. O mal que assola esse novo século, não se caracteriza como uma doença fisica, mas psicológica, definida por estudiosos como Hiperexposição,  que significa:  Ação de expor(-se) sobremaneira, além do necessário ou do devido.
     As pessoas querem expor aquilo que julgam terem de melhor, numa tentativa de demonstrarem que vivem momentos bons, de certa forma isso pode ser benéfico, mas os psicólogos veem isso como uma fonte de inveja que pode nascer em outras pessoas, a palavra inveja, vem da expressão latina Invidia,  que significa ver, e a partir dessa visualização de uma suposta vida perfeita do outro individuo, cresce esse sentimento, gerando assim um senso de desigualdade, pelo desejo de ter ou viver como o outro.
   Quanto mais nos envolvemos e gastamos tempo na internet, nos relacionamos com fotos, imagens, videos e não mais pessoalmente. Por medo da solidão, entramos no paradoxo de nos isolarmos para nos relacionarmos, e nos tornamos cada vez mais superficiais e expostos, querendo mostrar a todo instante que estamos ‘’por dentro’’ das novidades, daquilo que está ‘’rolando’’ na atualidade e vivemos de maneira que esquecemos de um certo modo de viver.
   Mas não podemos julgar as redes sociais como algo somente maléfico, quando na era da globalização, fica cada vez mais facilitada a comunicação entre amigos, parentes e familiares que moram longe, e em instantes podemos ter acesso a noticias e atualidades e podemos contatar-nos a todo momento. A palavra que impera nesse novo mundo é FACILIDADE, em apenas um clique temos acesso a milhões de pessoas e de informações, sendo esta ultima a nova moeda da contemporaneidade.

Portanto, não devemos julgar isso como um mal ou um bem para a humanidade, mas apenas como uma ferramenta, que devemos aprender a usar, somos a primeira geração que tem contato com essa nova forma de relacionamento. Precisamos investir em conscientização dos limites entre o público e o privado, assim poderemos desfrutar da maneira mais agradável desse novo universo que são os sites de relacionamento e a internet como um todo, evitando sempre a Hiperexposição.

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